Aí que uma cantora que você gosta lança uma música que basicamente parece a trilha sonora da sua vida atual. E que além disso, as outras músicas do álbum também dizem muita coisa.
Só uma amostra:
Tem que correr, correr
Tem que se adaptar
Tem tanta conta e não tem grana pra pagar
Tem tanta gente sem saber como é que vai
Tem tanta conta e não tem grana pra pagar
Tem tanta gente sem saber como é que vai
Priorizar
Se comportar
Se comportar
Ter que manter a vida mesmo sem ter um lugar
Daqui pra frente o tempo vai poder dizer
Se é na cidade que você tem que viver
Daqui pra frente o tempo vai poder dizer
Se é na cidade que você tem que viver
Para inventar família, inventar um lar
E isso é só metade da música.
É exatamente assim que me sinto. Estou correndo sempre contra o tempo, pra fazer provas, trabalhos, pra poder ter um tempo disponível pra poder treinar e jogar rugby. Tentando fortemente me adaptar, esquecendo de vários ideais pra conseguir isso. E dentro disso tudo fica muito difícil decidir as prioridades. Eu adoraria estar fazendo teatro ou dança, mas não posso, fazer rugby já ocupa um certo tempo que tecnicamente eu não deveria ocupar na minha semana. Além disso, realmente não sinto que tenho um lugar, mas mesmo assim vou ter que manter a vida da forma que puder, mesmo que não seja a melhor possível. E óbvio que me questiono sobre morar na cidade ou não. Acho que já não estou disposta a me isolar do mundo, ir pra muito longe da cidade, talvez um cidade menor, que eu não ficasse morrendo de medo de ser assaltada mas que ainda tivesse como vir pra cidade. Aprendi que não dá pra ignorar a cultura em que fui criada, não adianta achar que seria fácil se acostumar com uma realidade totalmente diferente sem que não fosse um pouco traumático. Por mais bizarro que pareça, eu sei que sentiria falta do ritmo louco da cidade, de ter sempre muita gente por aí, de ter um acesso muito mais facilitado a peças de teatro, shows, livrarias, enfim, um tanto capitalista tais considerações, mas fui criada e vivo diante de tudo isso. Mudar isso do nada poderia me fazer sentir sozinha no mundo, mais perdida do que já me sinto, mais deslocada ainda. Estou divagando infinitamente, mas eu não consigo ter espaço pra conversar isso com as pessoas. Quanto mais eu tento decidir a vida, mais parece que estou perdida, que estou fazendo muita coisa em vão. Sério, não sei o que fazer e essa é uma mensagem para a minha pessoa do futuro, eu espero fortemente que você tenha encontrado um rumo, que ele seja desejável, não só baseado em se adaptar a sociedade.
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